Castelo dos Mouros

Serpenteando a Serra

\\ Texto Maria Amélia Pires
\\ Fotografia Direitos Reservados

Património Mundial da Humanidade da UNESCO na categoria de Paisagem Cultural, Sintra alia uma combinação perfeita entre a natureza e o património edificado. É na Serra de Sintra, apelidada de Monte da Lua pelos romanos, que se encontra o Castelo dos Mouros, tendo como vizinhos palácios, conventos, parques e jardins. Um ambiente quase feérico e romântico que, sem esforço, nos faz imaginar reis e rainhas, pajens e nobres senhoras em carruagens douradas. «Sintra é o único lugar do país em que a História se fez jardim» (Vergílio Ferreira).

No ponto mais alto desta fortificação, subindo uma escadaria de 500 degraus, ladeada por um rendilhado de ameias decorado por bandeiras antigas, situa-se o topo da Torre Real.

Erguido entre arvoredos e penhascos graníticos, serpenteando um dos cumes da Serra de Sintra, o Castelo dos Mouros desfruta de paisagens arrebatadoras sobre toda a área envolvente, constituída por serra e mar. Com longas muralhas e vigiado por cinco torres, os acessos são feitos por portas rotativas. No interior delas, estão as ruínas da pequena igreja romântica de S. Pedro, que, lenda ou História, terá sido uma antiga mesquita mandada adaptar por D. Afonso Henriques. Apenas a alusão ao primeiro rei de Portugal remeter-nos-ia para tempos longínquos, mas o seu nome, Castelo dos Mouros, também nos lembra o princípio da nacionalidade.

É difícil, no entanto, precisar a idade do Castelo dos Mouros, mas alguns registos levam a crer que terá sido edificado em meados do séc. IX. É um dos mais antigos castelos portugueses e era também um dos mais importantes em termos defensivos. O seu nome está, obviamente, ligado à invasão muçulmana. Segundo reza a História, o Castelo dos Mouros foi entregue pelos muçulmanos a Afonso VI em 1093. A partir daqui, foi estando, alternadamente, nas mãos de cristãos e muçulmanos, até que, em 1147, foi definitivamente reconquistado por D. Afonso Henriques.

Atualmente podemos apreciar aquilo que resta desta antiga fortaleza. Para além da igreja, há uma cisterna moura, em tempos responsável pelo abastecimento de água ao Palácio Real da Vila, e um túmulo mandado construir pelo rei D. Fernando II que promoveu também amplas obras de reconstrução que tiveram o mérito de deter o avançado estado de degradação. Ao gosto imaginativo da época, foram adicionados locais de contemplação, caminhos de acesso e vegetação abundante, transformando-o numa atracção turística. No ponto mais alto desta fortificação, subindo uma escadaria de 500 degraus, ladeada por um rendilhado de ameias decorado por bandeiras antigas, situa-se o topo da Torre Real, onde terá vivido Bernardim Ribeiro, escritor português do séc. XVI. E quem sabe a sua obra Saudades, mais conhecida como Menina e Moça, não terá sido inspirada nestas paisagens de serra, de Sintra e de mar.

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