João Domingos

O músico de Moçambique

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia Direitos Reservados

João Domingos é sinónimo de um género de música ? Marrabenta ? que assume, sem exageros, um valor musical sólido em Moçambique. A obra que o músico deixou representa um legado ímpar na história artística do país e do mundo. Foi o criador do trio Hoola Hop, em 1956, o qual mais tarde se veio a tornar no lendário Conjunto João Domingos, com Gonzana e Young Issufo. Aos 83 anos deixa a vida, a 10 de Setembro, em Londres, após acidente cardiovascular, para numa outra dimensão entrar. Com ele levou a sabedoria da música, os sorrisos que provocava quando actuava e a certeza de ter deixado um legado excepcional para gerações futuras. É e será um ícone da Marrabenta.

Conceituado músico de Moçambique, João Domingos atraía e impressionava a plateia com a guitarra, que tão bem tocava, e com a voz melodiosa fascinava todos quantos o ouviam. Nasceu em Inharrime, na província de Inhambane, a 13 de Maio de 1933, e ali iniciou o caminho como percussionista. Tornou populares as canções Ma Wacu e Mwana. O seu grupo foi protagonista da popularização da Marrabenta, estilo musical que se tornou um verdadeiro cartão-de-visita do moçambicano para o mundo. Assim como o músico, também a Marrabenta acompanhou todo o período colonial, com temas como Elisa Gomara Saia, Massoriana e Tampa Ya Xicandarinha. E, não obstante o tempo dedicado à música, João Domingos disponibilizava parte do seu tempo para o desporto. Jogou futebol pelo São José, Munhuanense Azar, 1.º de Maio e Atlético. E entre as bolas certeiras no cesto, aquando praticava basquetebol, também havia tempo para pintar e dedicar-se à pesca.

A história da música que virou referência em Moçambique deve muito a João Domingos, um dos impulsionadores do registo Marrabenta no cotidiano dos concidadãos. O ritmo mudou, os instrumentos trouxeram alegria, a identidade de um país ganhou nome - Marrabenta. Aqui houve a junção de culturas, em que a dança se traduziu em história cultural. Com a aglomeração populacional, com diferentes culturas, a população sempre viu na língua, na tradição ou na música uma forma de comunicar.  Desta união saiu a música e dança, nomeadamente a Marrabenta, que não tardou em fazer parte do dia a dia de todos. O ritmo agitado, de lado para lado, ora tocando nos ombros, nos joelhos ou na cabeça, sempre com a firmeza da cintura e a sedução nos olhares, animava a vida dos moçambicanos e não só. E o Conjunto João Domingos faz parte dessa velha guarda da Marrabenta. Levaram esse ritmo dos pátios das casas para os espectáculos cheios de multidões para dançar.

Atualmente existem escolas que dão formação deste estilo. A Marrabenta ganhou notoriedade e é um dos géneros musicais que mais prevalece em Moçambique.  Ganhou história e continua a fazer história. Da Velha Guarda, como o grupo de João Domingos, ficam os registos de belas canções e ritmos fortemente lembrados.  A Marrabenta, em todas as suas formas, é o espelho de uma sociedade alegre e da identidade de um país.

 

 João Domingos foi protagonista da popularização da Marrabenta em Moçambique.

 

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