Fernanda Lichale

«Constitui uma honra e um privilégio representar Moçambique em Portugal»

\\ Texto Filomena Abreu
\\ Fotografia Nuno André Santos

Fernanda Eugénio Moisés Lichale é um nome respeitado na esfera diplomática. A reputação que hoje lhe é concedida nasceu de um árduo e rigoroso trabalho, acima de tudo com ela própria. Tudo começou com a  licenciatura em Relações Políticas Internacionais, a que se seguiu o mestrado em Marketing Político e Comunicação Estratégica, no IDE-CESEM (Instituto de Diretivos de Empresa), em Madrid, Espanha. O ciclo ainda não está fechado, e para a atual Embaixadora de Moçambique em Portugal em todas as possibilidades estão em aberto desde que possa ajudar a construir um «Moçambique melhor».

Como enveredou pela diplomacia?
O chamamento da pátria e as necessidades do país fizeram que, tal como muitos dos meus concidadãos, começasse a trabalhar ainda na idade tenra. Foi assim que, com 17 anos, integrei o Ministério dos Negócios Estrangeiros e consequentemente a minha formação e percurso na área de Relações Internacionais e Diplomacia.
 
É atualmente a Embaixadora de Moçambique em Portugal. O que representa este momento na sua carreira?
Constitui uma honra e um privilégio representar Moçambique em Portugal. O nosso passado histórico e cultural comum faz de nós parceiros privilegiados e indiscutíveis. Ser indicada para representar Moçambique neste país revela uma confiança das minhas autoridades para com a minha pessoa, a qual me enche de muito orgulho e de uma responsabilidade acrescida.
Desejo recordar, com agrado, que já trabalhei em Lisboa, nos anos 1990. Por isso, este é um retorno à terra que já conheci, embora a título diferente e com outras responsabilidades.

«Continuamos a acreditar que a cultura é um importante veículo na aproximação dos povos»

Quais os principais desafios da diplomacia moçambicana neste momento?
No âmbito da nossa missão de fazer mais amigos e contribuir para o reforço da amizade e solidariedade entre os povos, é prioritária a consolidação e dinamização das relações político-diplomáticas já existentes com os diferentes países do mundo, a começar por Portugal. É ainda prioritária, do ponto de vista diplomático, a África Austral, a região onde estamos inseridos, a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), a União Africana, a Europa, a Ásia, as Américas e ao nível de toda a família das Nações Unidas. Isto quer dizer que, num mundo global, as prioridades têm um carácter global. 
Promover as relações económicas entre Moçambique e outros países, por forma a mobilizar investimentos externos com abertura de oportunidades económicas e de negócios com vantagens mútuas.
Encorajar parcerias económicas envolvidas na cooperação, tendo em vista o Plano Quinquenal do Governo, trabalhar na mobilização de recursos e capacidades externas para o desenvolvimento económico e social do país.
E, por último, promover as relações culturais, para maior aproximação dos moçambicanos a outros povos do mundo e dentro dos marcos do respeito pela diversidade e reconhecimento dos valores universais da civilização humana, partilhamos continuamente as experiências e vivências diferentes.
 
Quais as metas que estabeleceu a si própria quando tomou posse do cargo que exerce?
Defini como metas o seguinte: a nível político-diplomático, privilegiar o diálogo político contínuo e equilibrado, sem pré-condições, promovendo, sempre que necessário, encontros bilaterais regulares, aos vários níveis do nosso Estado; a nível económico, mobilizar o investimento português, dando primazia ao estabelecimento de parcerias win-win, entre as empresas que, no final, fortaleçam o tecido económico nacional. Mas também identificar oportunidades de negócio em Portugal que permitam a internacionalização de agentes económicos moçambicanos, fortalecendo, assim, o tecido empresarial nacional, garantindo a sua expansão e inserção em mercados mais competitivos e lucrativos.
Ao nível social, gostava de prestar maior atenção à comunidade moçambicana, incentivando e ajudando a estruturar o associativismo e atualizando a comunidade sobre os desenvolvimentos que ocorrem no país. Na área cultural gostava de promover e divulgar a cultura moçambicana, considerando sobretudo o contributo desta para o enriquecimento e evolução da língua portuguesa e na valorização dos aspetos sócio-culturais comuns.    


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