Bairro da Mafalala

O lugar de onde renasce uma nação

\\ Texto Filomena Abreu
\\ Fotografia Daniel Camacho

Hoje, a fronteira está esbatida. Hoje, contrariamente ao que aconteceu no passado, Moçambique é de todos. De todos os moçambicanos. Hoje, Mafalala é história. É símbolo de liberdade, de luta pela independência. É a imagem de um tempo subjugado que o bom coração do povo transformou em paz.
Antigamente, num tempo de perder de vista, pessoas de vários credos, e de diversos pontos do país, punham pés ao caminho em busca do el dorado: Lourenço Marques, atual Maputo. Xilunguine, terra de branco, exercia atracção pela possibilidade de trabalho, pelas hipóteses de melhores condições de vida.

Dois mundos distintos. Um de pedra, outro de caniço. E toda a mão-de-obra provinha da Mafalala.

Mafalala foi crescendo com os dias. Com os meses. Com os anos. Dormitório dos trabalhadores, dos indignos da grande cidade. Mafalala começa a fermentar perguntas. Como parte excluída da cidade começa a criticar o status quo dessa hierarquia que impedia que os seus circulassem e vivessem na terra que lhes pertencia e a que todos os dias davam vida. Dois mundos distintos. Um de pedra, outro de caniço. E toda a mão-de-obra provinha da Mafalala. Instalam-se no bairro devagar. Vinham de todo o lado. Ilha de Moçambique, Zanzibar, etc. Misturavam-se as línguas: macua, inglês, maconde, e outras. Entre negros, mestiços, goeses, indianos, chineses, etc., num mosaico cultural. Pacífico. Multireligioso. E quando se muda uma pessoa de sítio, muda-se sempre um pedaço de cultura, que ali se mesclava com outras, e que, a dada altura, faziam uma só, a de cada um, convivendo harmoniosamente. E foi por culpa do ritmo que o bairro hoje tem nome. A dança macua, do Norte do país, «Li-fa-la-la», gravada nos pés dos que vinham da antiga capital do país, a Ilha de Moçambique, foi vendo o seu nome alterar até ficar Ka Mfalala, que significa, sítio da Mafalala. Um espaço político de diversidade cultural.


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